Uvas portuguesas

Principais características e diferenças

Uvas portuguesas

Uvas portuguesas: principais características e diferenças

A uva é a matéria-prima do vinho. Para elaborar uma bebida de qualidade, são usadas cepas da espécie Vitis Vinifera, também conhecida como “uva europeia”. A maioria das variedades nasceu de um cruzamento espontâneo entre duas variedades diferentes, esse é o caso das uvas portuguesas.

Da mesma maneira que somos diferentes de nossos pais, a combinação do DNA de duas uvas distintas resulta em uma terceira variedade, com características próprias. Para saber mais sobre as diferentes uvas portuguesas, continue a leitura!

Por que é importante saber com qual uva um vinho é feito?

As características particulares de cada variedade de uva são passadas para o vinho. Assim, uma bem doce, de bago pequeno e com cascas grossas, dará origem a uma bebida encorpada, tânica, cheia de notas de fruta e com baixa acidez, enquanto uma uva com casca mais fina, bagos maiores e mais acidez, resultará em um vinho de cor mais clara, mais leve e mais fresco.

Até a metade do século XX, ninguém que gostava de vinhos se importava em saber com qual uva um determinado vinho era feito. Isso mudou com a popularização dos vinhos do Novo Mundo.

Já que as regiões produtoras de vinho de países fora da Europa eram pouco conhecidas pelos apreciadores de vinho, o nome da uva no rótulo surgiu como um jeito dos consumidores identificarem características de um vinho sem conhecerem onde o vinho era produzido.

Este novo apreciador de vinhos, por exemplo, poderia não ter ideia de quais eram as características da região de Napa, nos Estados Unidos, mas sabia identificar qual era o estilo de um vinho feito com a uva Cabernet Sauvignon.

Com quase 80 uvas autóctones, Portugal só fica atrás da Itália, França e Espanha em número de uvas nativas. Muitas destas uvas são bem pouco conhecidas e com nomes bastante engraçados, como Tinto Cão ou Rabigato. Por outro lado, diversas uvas portuguesas são grandes conhecidas da maioria das pessoas que gostam de vinho.

Principais uvas portuguesas

Portugal é um dos países mais importantes na produção de vinhos e, como dissemos anteriormente, se destaca pela grande diversidade de uvas nativas. Ao todo, são 198 uvas nativas catalogadas!

Entre as tintas, algumas das mais conhecidas são a Touriga Nacional, chamada de “rainha das uvas portuguesas”. Outra variedade marcante é a Baga, conhecida pelos vinhos intensos e cheios de personalidade. A Tinta Roriz e a Bical também têm espaço garantido nos rótulos mais tradicionais do país.

Já entre as uvas portuguesas brancas, a Alvarinho se destaca com seus vinhos frescos e aromáticos, enquanto a Maria Gomes é apreciada pela versatilidade e pelos vinhos com toques florais. Abaixo explicamos mais sobre as características de cada uma.

Touriga Nacional

Ingrediente fundamental dos mais celebrados vinhos de Portugal, o Vinho do Porto, a Touriga Nacional é a uva portuguesa mais famosa e reputada do país. Os vinhos tintos elaborados com ela são potentes, com taninos sedosos e repletos de notas de fruta madura. Uma das assinaturas da uva é um sofisticado aroma floral de violetas.

A Touriga Nacional é cultivada em diversas regiões de Portugal. Ela nasceu na no Dão, onde dá origem a vinhos incrivelmente elegantes e perfumados, que contribuem para o apelido de “a Borgonha de Portugal”.

Já no Douro, com um clima mais quente, a Touriga Nacional resulta em vinhos bastante potentes e encorpados, sem perder o toque sedoso dos taninos. Em regiões em que o rendimento das vinhas é maior, produzindo mais cachos de uvas por planta, a Touriga dá um vinho mais leve, mas sempre macio.

Baga

Originária do Dão, a Baga é mais famosa na região vizinha, da Bairrada, onde ela é a matéria-prima de alguns dos melhores vinhos de Portugal. A Baga é uma uva que não é fácil de ser cultivada. Se ela não for colhida perfeitamente madura, os taninos ainda verdes deixam o vinho bastante adstringente.

Historicamente, os produtores com medo das chuvas que geralmente chegam no final de setembro, colhiam as uvas relativamente cedo e, para piorar, vinificavam usando os cachos inteiros, com engaço.

Essa combinação de uvas que ainda não estavam completamente maduras, com a prensagem dos engaços ainda verdes, originavam um vinho tânico e áspero, que era quase impossível de ser bebido ainda jovem. Os vinhos eram guardados por longos anos na adega, mas muitas vezes, quando a garrafa era finalmente aberta, o vinho já estava passado.

Um dos mais celebrados enólogos de Portugal, Luís Pato, mudou a história da Baga para sempre: diminuindo a quantidade de uvas que cada planta produziu, ele conseguiu que as uvas ficassem perfeitamente maduras na hora da colheita.

Tinta Roriz

A Tinta Roriz é uma das uvas mais presentes entre os grandes vinhos portugueses e vinhos do Porto. Mesmo com tanta verdade, a Tinta Roriz é uma variedade de origem espanhola. A Tinta Roriz é a mesma uva que a Tempranillo, que na Espanha dá origem a muitos dos melhores vinhos daquele país.

Esta uva produz vinhos potentes e encorpados, ideais para serem envelhecidos em barricas de carvalho. É uma uva que fica madura relativamente cedo, originando vinhos de teor alcoólico mais baixo que a maioria das uvas adaptadas a climas quentes. Os vinhos elaborados com a Tinta Roriz mostram generosos aromas de frutas maduras, com notas de cerejas maduras e pimenta-do-reino.

Combinada com outras uvas portuguesas, a Tinta Roriz contribui com o corpo e aromas do vinho final. No Alentejo a casta é conhecida como Aragonês, sendo a base de alguns dos melhores vinhos da região, principalmente nas áreas mais altas e com clima mais fresco.

Vinhas Velhas

Um dos maiores tesouros de Portugal entre as uvas portuguesas não é uma variedade de uva específica, mas um conjunto de diversas uvas diferentes plantadas, todas misturadas, há muitos anos: as famosas “vinhas velhas”.

Quando estiver escrito no rótulo que um vinho é feito com “vinhas velhas”, mas não estiver especificado qual é a uva, é porque o vinho foi feito com diversas uvas diferentes, de um vinhedo plantado na época que as pessoas não se importavam em separar cada tipo de uva.

Como estes vinhedos contam com plantas de dezenas de anos, eles têm um rendimento bastante pequeno, produzindo uvas de bagos pequenos e cascas mais espessas, resultantes em vinhos de ótima concentração.

Um fato bastante curioso deste tipo de vinhedo, é que as diferentes castas, quando plantadas juntas, tendem a ficar maduras simultaneamente, permitindo assim que elas sejam colhidas na mesma época.

Alvarinho

A uva Alvarinho é uma das grandes descobertas para quem gosta de vinhos brancos. Originária da região próxima da fronteira da Espanha, é a mesma uva que no país vizinho é chamada de Albariño.

Enquanto a maioria dos vinhedos de Albariño na Espanha tem grande influência oceânica, os vinhedos portugueses de Melgaço são basicamente vinhedos de montanha, sem influência marítima. Os Alvarinhos portugueses são vinhos de grande mineralidade, mas sem o toque salino encontrado em alguns exemplos espanhóis.

De maneira geral, os vinhos brancos elaborados com a uva Alvarinho são frescos, profundos, secos e aromáticos – nunca exagerados ou enjoativos. Alguns produtores produzem versões maturadas em barricas, mas o Alvarinho é geralmente vinificado sem o contato com madeira para preservar toda a riqueza aromática dos vinhos.

Bical

Bical é uma uva-branca originária da região de Beiras, que engloba o Dão e a Bairrada, no centro de Portugal. A Bical é cultivada principalmente na região da Bairrada, dando origem a vinhos brancos frescos e marcantes.

A maioria da produção de Bical é usada combinada com outras uvas locais nos espumantes feitos tradicionalmente na região, mas pode resultar em vinhos bastante interessantes e particulares quando produzida como um varietal.

Após alguns anos de guarda, os vinhos feitos com a Bical desenvolvem aromas que lembram a uva Riesling, com uma destacada nota de petróleo. Luís Pato elabora um dos exemplos mais notáveis de Bical, o famoso Vinha Formal.

Maria Gomes

Maria Gomes é a uva branca mais plantada em Portugal. Também conhecida por Fernão Pires, é uma uva que produz brancos bastante aromáticos, com cativantes notas de laranjeiras e um toque de mel.

A Maria Gomes é uma uva que fica rapidamente madura, sendo bastante popular entre os produtores da Bairrada, por evitar assim as chuvas de setembro. Colhida no momento certo e com rendimentos controlados, os brancos feitos com a Maria Gomes podem mostrar um bom frescor. A Maria Gomes é uma uva versátil, que dá origem a vinhos fáceis de gostar.

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