As primeiras videiras cultivadas no Brasil foram plantadas em São Paulo pelo português Brás Cubas, em 1532 – primeiramente no litoral paulista, e em seguida na zona leste da cidade de São Paulo. As uvas trazidas da Europa à época, no entanto, não se adaptaram muito bem ao clima da região e não prosperaram.
A produção de vinhos somente se consolidou no estado no século XIX, com o estabelecimento dos imigrantes italianos. Mas, apesar de no início terem insistido nas tentativas de cultivo de uvas europeias, as variedades que melhor se desenvolveram no estado foram as uvas americanas – que representam até hoje a maior parte da produção vinícola em São Paulo.
Ainda assim, existem áreas dentro do estado muito bem-sucedidas na produção de vinhos finos de alta qualidade – especialmente a região da Serra da Mantiqueira, com vinhedos plantados em altitudes mais elevadas e a nova região montanhosa de Ribeirão Branco, no sul do estado. Variedades de maturação mais precoce como Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico conseguem ser colhidas no verão antes do período das chuvas, que poderiam ser prejudiciais para a saúde das uvas e diluir seus sabores. Essas variedades são tradicionalmente utilizadas para a produção de excelentes espumantes.
Além disso, a utilização da inovadora técnica da dupla poda a partir do início dos anos 2000 vem modificando o cenário dos vinhos paulistas. Essa técnica, adaptada à realidade brasileira pela EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), permite que os produtores colham as uvas durante o inverno, quando não há tanta chuva e as noites são mais frescas. Os chamados “Vinhos de Inverno” são elaborados principalmente com as castas Syrah e Sauvignon Blanc, que melhor se adaptaram à técnica da dupla poda. Mais frutados e concentrados, os vinhos vêm chamando atenção da crítica e ganhando reconhecimento.