Liderados por Catena Zapata, os vinhos argentinos revelaram ao mundo seu potencial em tintos modernos, macios e concentrados

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Vinhos da Argentina

Vinhos argentinos: a uva Malbec, a influência da altitude e a revolução da qualidade


Reconhecido mundialmente pela qualidade, consistência e inovação, o vinho argentino reflete a paixão pelo terroir e o profundo conhecimento técnico de seus produtores. Elaborados principalmente com a Malbec – variedade emblemática do país –, os tintos argentinos são macios e concentrados, conquistando o paladar no primeiro gole.

Além dos rótulos mais acessíveis, a Argentina produz vinhos de enorme complexidade, como os consagrados vinhos Catena Alta, Catena Zapata e o raro Nicolás Catena Zapata, capazes de rivalizar com os grandes vinhos do mundo. Esses foram os primeiros vinhos de terroir da Argentina, elaborados a partir de vinhedos de altitude, e os primeiros de classe mundial, produzidos nos anos 1990.

Ao desafiar as convenções da época e explorar novas fronteiras aos sopés dos Andes, até então inimagináveis, Nicolás Catena Zapata – o maior nome do vinho argentino – inaugurou uma nova era na vitivinicultura do país. Desde então, produtores vêm se dedicando a estudar e compreender a importância da altitude e como ela molda o perfil dos vinhos.

Explore o melhor do vinho argentino abaixo!

 

Malbec: a estrela de Mendoza e sua textura aveludada

 
Originária de Cahors, no sudoeste da França, a Malbec brilha em solo argentino — para onde foi levada em meados do século XIX. Ironicamente, enquanto ganhava os vinhedos nos vales de Mendoza, a uva estava sendo dizimada na Europa pela praga filoxera. Na segunda metade do século XIX, a doença destruiu cerca de 2,5 milhões de hectares de vinhedos na França, praticamente eliminando a variedade do país.

Nos vinhedos de Mendoza — aos pés da Cordilheira dos Andes —, os solos pedregosos, o clima árido e a ampla variação diária de temperatura favorecem o amadurecimento pleno das uvas ao mesmo tempo em que preservam acidez, frescor e equilíbrio. O resultado são vinhos de cor intensa, com aromas de ameixa, amora e violetas e sutis notas de especiarias. A generosidade dos taninos é equilibrada pelo aspecto sedoso, conferindo aos vinhos aquela textura aveludada que se tornou assinatura dos rótulos com a uva Malbec de Mendoza.

Além de inúmeros exemplares acessíveis, o país tem produzido vinhos cuja estrutura e complexidade os igualam a grandes vinhos do mundo, a exemplo dos consagrados Catena Alta, Catena Zapata e Nicolás Catena Zapata. Outras vinícolas, como Caro e Tikal, também assinam rótulos excelentes que são expressões fiéis da Malbec argentina.

 

Terroirs de altitude: o diferencial dos Andes e os vinhos de parcela

 

Nas encostas ensolaradas da Cordilheira dos Andes, em Mendoza, a viticultura argentina encontrou um novo horizonte. As altitudes extremas — muitas vezes acima dos 1.000 metros — definem o caráter dos grandes vinhos argentinos: frescor, acidez vibrante, intensidade aromática e notável potencial de guarda.

Um dos exemplos mais emblemáticos da viticultura de altitude é o Vinhedo Adrianna, localizado em Gualtallary, no Vale do Uco, com altitudes que alcançam 1.500 metros. Plantado em 1992 por Nicolás Catena Zapata, o vinhedo foi concebido para produzir vinhos de clima frio comparáveis aos grandes vinhos franceses.

O equilíbrio entre clima, diversidade de solos e rigor científico transformou o Adrianna no vinhedo mais estudado do mundo e berço dos primeiros vinhos grands crus da América do Sul: os brancos de Chardonnay White Bones e White Stones e os tintos de Malbec River, Mundus Bacillus Terrae e Fortuna Terrae - vinhos de parcela que foram os primeiros do continente a conquistarem 100 pontos de Robert Parker.

Décadas de pesquisas científicas demonstraram que o solo apresenta grande heterogeneidade, o que gera microparcelas com características próprias. Desse trabalho minucioso de identificação de parcelas, liderado por Laura Catena, Alejandro Vigil e o Catena Institute of Wine, surgiram os vinhos que são expressões precisas de terroirs específicos.

 

Tendências: Cabernet Franc e Bonarda em ascensão

 

Se a Malbec colocou a Argentina no mapa dos grandes vinhos do mundo, outras variedades estão despontando como o próximo grande sucesso dos tintos argentinos. A primeira é a Cabernet Franc, foco da vinícola El Enemigo – projeto pessoal de Alejandro Vigil, enólogo-chefe da Catena Zapata, em parceria com a filha mais nova de Nicolás Catena, Adrianna Catena.

Os vinhos da El Enemigo revelam o potencial da uva – antes coadjuvante em blends – para produzir vinhos tintos elegantes, com personalidade e estrutura. O reconhecimento internacional veio em 2023, quando o Gran Enemigo Gualtallary Single Vineyard 2019 conquistou 100 pontos de James Suckling e Robert Parker – consagrando o potencial dos rótulos com Cabernet Franc de Mendoza. Segundo Parker, o vinho é comparável a uma grande safra do lendário Château Lafleur, de Bordeaux.

A outra uva que está ditando tendência entre os vinhos argentinos é a Bonarda, segunda variedade tinta mais plantada do país. Durante décadas, ela foi usada em vinhos simples e de produção volumosa, mas produtores como Vigil vêm revelando sua nova identidade em vinhos vibrantes, com taninos macios e potencial de guarda. A El Enemigo produz cinco vinhos de Bonarda, quatro deles de vinhedo único, elaborados em quantidades limitadas em diferentes localidades de Mendoza.

 

Brancos impactantes: Torrontés de Salta e inovações com Sémillon e Chenin Blanc

 

Localizada a aproximadamente 1.200 quilômetros ao norte de Mendoza, Salta é uma das novas fronteiras do vinho argentino. No extremo norte do país, a região abriga alguns dos vinhedos mais altos do mundo, acima dos 3.000 metros de altitude.

O potencial dos vinhos com a uva Torrontés não se limita, porém, a Salta. O Gran Enemigo Torrontés, por exemplo, é produzido a partir de videiras cultivadas a quase 1.600 metros de altitude no Vale de Uco, em Mendoza. Eleito o vinho branco revelação de 2002 pelo Master of Wine Tim Atkin, o rótulo “apresenta uma expressão transcendente da casta Torrontés”, segundo Robert Parker.

O portfólio da El Enemigo inclui também um novo vinho de Chenin Blanc – que remete aos melhores exemplares franceses do Loire elaborados com a casta –, e um Sémillon – uva muito cultivada na Argentina no passado e agora retornando aos holofotes. Com uma parte do vinho envelhecendo sob véu de flor, como os vinhos do Jura e de Jerez, o El Enemigo Sémillon é, na opinião da Wine Advocate, um belo exemplo da vocação do Vale de Uco para produzir exemplares cativantes com essa variedade.

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Perguntas Frequentes

1. Qual é o vinho mais famoso da Argentina?

O Nicolás Catena Zapata é amplamente reconhecido pela crítica como o vinho mais icônico da Argentina — um tinto grandioso que colocou o país no mapa dos grandes vinhos do mundo. Elaborado a partir de um corte elegante de Cabernet Sauvignon, Malbec e Cabernet Franc, provenientes dos melhores vinhedos de altitude de Mendoza, é o vinho que melhor representa o pioneirismo de Nicolás Catena.

Inspirado nos “blends bordaleses originais” dos séculos XVIII e XIX, o Nicolás Catena Zapata é um vinho de profundidade impressionante; poderoso e refinado. A safra inaugural, de 1997, fez história ao ser o primeiro cuvée de luxo argentino exportado globalmente e ao superar rótulos lendários como Château Latour, Château Haut-Brion e Opus One em degustações às cegas, conquistando quatro primeiros lugares e um segundo.

2. O que significa vinho de altitude?

Vinhos de altitude são aqueles produzidos com uvas cultivadas em vinhedos situados em grandes elevações, onde condições naturais como temperaturas mais baixas, grandes amplitudes térmicas diárias e intensa radiação solar exercem uma influência decisiva sobre o desenvolvimento das videiras e o amadurecimento das uvas.

Devido à maior exposição à radiação ultravioleta (UV) e às noites frias, os vinhos de altitude tendem a ser equilibrados, preservando acidez e aromas delicados ao mesmo tempo em que possuem cor profunda e longa capacidade de envelhecimento.

3. Quais comidas combinam com vinhos argentinos?

Os vinhos argentinos, especialmente os tintos de Malbec, são grandes parceiros de comida - harmonizando com carnes vermelhas e molhos à base de tomate. Uma combinação clássica é com churrasco: os taninos macios e a acidez do vinho equilibram a gordura da carne. Outras parcerias bem-sucedidas incluem hambúrguer, embutidos e risoto de cogumelos.

Os vinhos rosés feitos com essa uva ícone da Argentina são perfeitos para acompanhar queijos e receitas de peixes e frutos do mar - ou mesmo como aperitivo, para um brinde entre amigos. O Catena Malbec Rosé é uma ótima pedida. Leve e com um frescor cativante, lembra os famosos rosés da Provence.

4. Os vinhos argentinos são bons para guarda?

Sim — e cada vez mais. A Argentina prova que seus melhores tintos — especialmente os provenientes dos vinhedos de altitude no Vale de Uco — não apenas envelhecem bem, mas ganham complexidade, textura e profundidade com o tempo.

Ícones como os vinhos de parcela única do Vinhedo Adrianna, da Catena Zapata, e da linha Gran Enemigo figuram entre os grandes vinhos de guarda do mundo, lembrando o equilíbrio dos grandes Bordeaux do passado, mas com identidade própria.

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