A uva Monastrell, ou Mourvèdre, é
uma variedade tinta amplamente cultivada
em diversas áreas do Mediterrâneo ocidental durante séculos. Acredita-se
que a Monastrell tenha se originado na Espanha e, nos dias de hoje, é cultivada
em toda a Península Ibérica, no sul da França, na Austrália e na Califórnia.
A Monastrell se adapta
melhor em regiões com climas secos e quentes. A variedade apresenta bagas
pequenas e de espessura média – combinação ideal para dar origem a vinhos com cor intensa e altos níveis de
taninos. Os aromas da uva Monastrell são complexos e muito distintivos,
assim como os seus taninos.
Estas características tornam
a variedade um potente ingrediente de mistura, principalmente, ao lado da
picante uva Syrah e da rica Grenache. As uvas Carignan e Cinsaut também
aparecem frequentemente nos rótulos com a Monastrell, principalmente por conta
da tradição destes vinhos, do que pelo aroma ou sabor. Na França, a Monastrell
é uma variedade chave nas regiões de Provence e no sul do Vale do Rhône,
onde é um dos principais componentes dos tradicionais vinhos
Chateauneuf-du-Pape e Côtes du Rhone.
A variedade sofreu muito na
década de 1880, quando a praga filoxera assolou os vinhedos da Europa,
destruindo inúmeras plantações. Seus redutos notáveis durante este tempo se
formaram em torno de Bandol, que possui solos arenosos onde a filoxera não
consegue sobreviver. Nos dias de hoje, as vinhas da Monastrell ainda se
encontram nas encostas litorâneas de Bandol e a variedade constitui, pelo
menos, metade dos vinhos tintos tânicos e os rosés delicadamente picantes da
região.
Na Espanha, as modernas
técnicas vinícolas mudaram o foco para as uvas Tempranillo e Cabernet
Sauvignon, embora a Monastrell esteja recuperando sua importância aos poucos.
Ao mesmo tempo, a Monastrell foi a segunda variedade tintas mais cultivada em
toda a Espanha, ficando atrás apenas da Garnacha.
Já na Austrália e na Califórnia, a
Monastrell é conhecida como Mataro, embora o prestígio do seu nome francês
tenha conquistado os produtores, que abandonaram o termo Mataro. Os vinhos
australianos e californianos elaborados com a variedade são tipicamente mais
ricos e mais frutados do que aqueles produzidos no Mediterrâneo.