Os Deuxième Vin de Bordeaux,
ou “segundos vinhos de grandes castelos”,
tornaram-se marcas fortes e altamente rentáveis para os seus proprietários.
Talvez a mais celebrada e
conhecida região vinícola do mundo, Bordeaux é a
terra dos grandes Châteaux, que em geral fazem jus à fama de produzir vinhos
muito elegantes, longevos, encorpados e classudos. Os melhores são realmente
excepcionais, enquanto os mais acessíveis apresentam boa relação entre
qualidade e preço e são um pouco menos encorpados.
Esta onda de “segundos
vinhos” está há mais de 30 anos no mercado, permitindo que os vinhos de grandes châteaux com altíssimo nível
de qualidade sejam vendidos a preços mais acessíveis. Isto é possível pois
a montagem é muitas vezes diferente, mas a vinificação e o envelhecimento são
realizados pela mesma equipe, beneficiados pelo nome do produtor de elevado
prestígio.
A onda dos Deuxième Vin
surgiu na França quando
o aumento do preço foi tão grande que os vinhos se tornaram inacessíveis.
Rapidamente, os grandes produtores perceberam que possuíam milhares de litros
para oferecer aos consumidores, litros estes que eram vinificados iguais aos
outros e produzidos a partir de grandes colheitas, mas considerados de “segunda
linha” para usar os famosos nomes.
O segundo vinho de uma
propriedade vem do mesmo solo dos grandes vinhos e desfrutam da mesma atenção
durante seu desenvolvimento. Muitas vezes, os Deuxième Vin são comercializados em
um período menor de tempo, em vista dos grandes vinhos.
As diferenças entre ambos
são encontradas nas suas qualidades intrínsecas: os segundos vinhos não apresentam a mesma potência e
complexidade que os exemplares mais velhos, porque a grande parte destes Deuxième
Vin são jovens. Trata-se de um modelo em grande escala de produção, com menor
capacidade de envelhecimento, menos finesse e menor expressão.
Um exemplo destes vinhos é o
Pavillon Rouge du Château Margaux elaborado com as uvas Cabernet Sauvignon,
Merlot, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon. Trata-se de um vinho tinto que
apareceu pela primeira vez no século XIX e assumiu seu nome atual em 1908.
Após desaparecer por um
tempo entre os anos de 1930 e 1970, sua produção teve início novamente por
André Mentzelopoulos que assumiu a propriedade em 1977. É produzido a partir de
vinhos que não foram selecionados a entrar em Château Margaux. Na safra de
2009, o exemplar recebeu 93 pontos de Robert Parker.