A uva Mencía é uma variedade
tinta nativa do noroeste da Espanha. Trata-se de uma casta comumente associada
aos vinhos tintos de Bierzo, que antigamente eram leves e adstringentes, mas
nos dias de hoje, desde a descoberta das vinhas de baixo rendimento cultivadas
em solos pobres nas altas colinas, tais exemplares tornaram-se mais intensos e
concentrados, chamando a atenção do mundo do vinho. Os vinhos elaborados a
partir da uva Mencía tendem a exibir um caráter mais terroso e vegetal, com
algumas nuances e complexa mineralidade.
O papel da Mencía como uma
simples variedade de uva utilizada na produção de vinhos de mesa simples tem
sido contestado com o decorrer dos anos, especialmente, pelo tradicional
e renomado produtor Álvaro Palácios, um dos pioneiros na região
do Priorat, na Catalunha.
As antigas vinhas e o
excelente terroir de Bierzo tem se
mostrado útil para aumente a qualidade dos vinhos Mencía, além de ser ajudado
pelas novas técnicas vitivinícola e atenção extra na adega. Os vinhos
elaborados com essa variedade são mais propensos a apresentarem uma fresca
acidez e bons taninos, com sabores de frutas escuras e herbáceos.
As vinhas da Mencía são
exigentes e apresentam uma tendência para a baixa produtividade, tornando-se
desafiadora para alguns produtores. Além disso, estas vinhas são propensas ao
fungo Botritys cinerea e ao mofo,
perdendo sua acidez natural rapidamente senão for colhida na época correta.
Acredita-se que a uva Mencía
tenha algum grau de parentesco com a Cabernet Franc. No entanto, após a
realização de alguns testes de DNA modernos, esta teoria tem sido refutada,
onde descobriu-se que a Mencía é, na verdade, geneticamente idêntica a uva
portuguesa Jaén. Esta descoberta gerou incertezas sobre o verdadeiro lar da
variedade: enquanto a maioria dos estudos apontam como Bierzo, a Mencía poderia
também ter sido levada de lá para o Dão.