O Chile encanta com vinhos de ótima qualidade e preço, feitos com uvas francesas e a emblemática Carménère

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Vinhos do Chile

Vinhos chilenos: tradição, inovação e a diversidade de terroirs


O Chile possui antiga tradição vitivinícola. Inicialmente focado na elaboração de vinhos simples e baratos, a produção era voltada principalmente para o mercado interno.

Entre as décadas de 1980 e 1990, houve grande investimento em novas tecnologias por parte dos produtores - o que contribuiu para a produção de vinhos de alta qualidade destinados à exportação. Com isso, o Chile conseguiu se estabelecer como um produtor de vinhos confiáveis para o mercado global.

A maioria das áreas de vinhedos possui clima mediterrânico quente, mas a presença do Oceano Pacífico (a oeste) e da Cordilheira dos Andes (a leste) influencia significativamente as extremidades dos vales vitícolas, refrescando essas áreas. Assim, o Chile consegue cultivar com sucesso tanto variedades de clima frio quanto de clima quente.

Leia mais sobre os conhecidos vinhos chilenos abaixo!

 

Carménère redescoberta: a casta emblema e a identidade chilena


A Carménère é originária da região do Gironde, no sudoeste da França, e era amplamente cultivada em Bordeaux no início do século XVIII. As primeiras videiras dessa casta foram levadas para o Chile em meados do século XIX, quando foram plantadas misturadas a outras variedades nativas de Bordeaux. 

Por causa disso, nas décadas seguintes a Carménère passou a ser confundida com a Merlot nos vinhedos chilenos. A variedade se espalhou pelas regiões vitivinícolas do Chile, e passou a ser chamada pelos produtores de Merlot Chileno – por identificarem uma leve diferença em relação à Merlot original, mas supondo ser uma mutação local.

Após a devastação causada nos vinhedos europeus pela praga filoxera na década de 1870, a produção da Carménère foi em grande parte abandonada em Bordeaux, devido à maior facilidade de cultivo de outras variedades. Assim, ao final do século XX, a Carménère chegou a ser considerada extinta. 

Em 1994, nos vinhedos da Vinã Carmen, no chileno Vale do Maipo, o ampelógrafo francês Jean-Michel Boursiquot (profissional que estuda, identifica e classifica os tipos de uva) notou certos detalhes em algumas videiras classificadas como Merlot e as identificou como Carménère, o que foi confirmado por testes de DNA em 1997. Assim, a Carménère acabou se tornando a uva emblemática do Chile.

Los Vascos e Lapostolle: os embaixadores da qualidade chilena com sotaque francês


Nos últimos anos, os produtores do Chile vêm elaborando uma série de vinhos de excelente qualidade, que competem com os melhores rótulos dos mercados mundiais.

Uma das maiores estrelas do vinho chileno, Los Vascos é a vinícola dos Domaines Barons de Rothschild (do lendário Château Lafite) no Chile, produzindo vinhos exclusivos, de profunda elegância e finesse, com uma inegável influência francesa.

De excepcional relação qualidade/preço, os vinhos mostram a opulência da fruta do ensolarado Vale de Colchagua associada à elegância dos vinhos dos Domaines Barons de Rothschild.

Outra vinícola que não nega suas raízes francesas é a Lapostolle, produzindo no Chile uma coleção de tintos e brancos de enorme classe e elegância. Os vinhedos encontram-se nas melhores localizações de Apalta, Requinoa e Casablanca, e são constituídos por vinhas velhas - o que confere aos vinhos maior concentração, riqueza e complexidade.

Os rendimentos são os menores do país e o cuidado na adega é minucioso. Seu famoso Clos Apalta já foi eleito o melhor vinho do mundo pela Wine Spectator, entrando novamente para o ranking dos top 100 da revista outras três vezes. O vinho também já recebeu 99 pontos de James Suckling na safra 2016, enquanto a safra 2015 mereceu os máximos 100 pontos.

 

Surpresas varietais: Pinot Noir e Sauvignon Blanc


Os vinhos chilenos de
Pinot Noir estão rapidamente ganhando reconhecimento, principalmente os provenientes de áreas mais frias como os Valles de Casablanca e San Antonio, no Aconcagua. O elegante Amayna Pinot Noir, por exemplo, é um vinho gastronômico e de textura aveludada - merecedor de 94 pontos do Master of Wine Tim Atkin, 93 pontos de Robert Parker, 92 de James Suckling, e eleito o melhor tinto chileno pela revista Decanter.

Já a Sauvignon Blanc é a uva branca mais plantada no país. Assim como a Pinot Noir, adapta-se melhor às regiões mais frescas do Chile - como Limarí, Casablanca e San Antonio -, gerando vinhos frutados, com refrescante acidez e notas minerais e herbáceas. O Boya Sauvignon Blanc, do Valle de Leyda, em San Antonio, conquistou 92 pontos de Tim Atkim com suas notas marcantes de flores brancas, frutas cítricas e tropicais.

O Chile também produz grandes quantidades de Sauvignon Blanc no Valle Central, com foco em rótulos mais acessíveis - mas ainda de ótima qualidade.

Chile

Perguntas Frequentes

1. Qual é o vinho mais famoso do Chile?

O vinho chileno mais famoso é o conceituado Lapostolle Clos Apalta. Atingindo 100 pontos na avaliação do crítico James Suckling na safra 2015 e sendo o primeiro vinho do Chile eleito o Melhor Vinho do Mundo pela Wine Spectator, esse vinho é um verdadeiro mito.

2. O que significa Carménère?

Carménère é o nome de uma uva. De origem francesa, a variedade foi considerada extinta até ser "redescoberta” no Chile no final do século XX - tornando-se a casta emblemática do país.

3. Vinhos do Chile são bons para harmonizar com carnes?

Sim! Em geral, os bons vinhos chilenos são concentrados, cheios de fruta madura, elaborados principalmente com a Cabernet Sauvignon, a Carménère e a Merlot. Esses vinhos são ótimas pedidas para harmonizar com carnes vermelhas, equilibrando a gordura e o sal da comida com os taninos e a acidez presentes nessas uvas.

4. Qual a diferença entre Reserva e Gran Reserva no Chile?

No Chile existem diversos termos de rotulagem que são legalmente reconhecidos, além dos nomes das regiões de Denominação de Origem. Mas, na prática, esses termos não possuem muito significado além de serem uma ferramenta de marketing, funcionando como uma indicação de estilo do vinho ao consumidor.

No país, o termo Reserva indica um vinho que tem percentual alcoólico de ao menos 12,0% e que pode ou não ter passagem por madeira. Gran Reserva, por sua vez, indica um vinho com teor alcoólico de ao menos 12,5% e que obrigatoriamente tem passagem por madeira. A utilização desses termos nos rótulos dos vinhos chilenos não é obrigatória, sendo uma escolha de cada produtor.

5. Quais são as principais regiões produtoras de vinho chileno?

Existem seis grandes regiões produtoras de vinho no Chile, que fazem parte do sistema de Denominação de Origem do país: Atacama, Coquimbo, Aconcagua, Valle Central, Sul e Austral. Em questão de relevância, as principais regiões seriam Aconcagua (produtora de ótimos vinhos de Sauvignon Blanc e Pinot Noir) e Valle Central (região vitivinícola mais extensa do Chile e provedora da maioria dos seus vinhos).

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